História

Histórico do Imóvel

Por Maria do Carmo Sousa Lima (17 de agosto de 1998)

Encomenda do proprietário Sr. Pedro Evangelista Ferreira para o lote nº 003, quarteirão 010, da 4ª seção urbana a residência situada à Av. Bias Fortes, 368 foi projetada pelo o arquiteto Caetano Defranco em 1934, sendo que o projeto foi aprovado no início do ano seguinte.

Construída com grande fidelidade ao projeto original a não ser pela própria escadaria monumental que ganhou mais dois pequenos lances simétricos antes de atingir a varanda.

A residência foi adquirida pelo casal Francisco e Esmeralda de Sousa Lima que se mudaram com a família em janeiro de 1944. Só deixaram a casa em 1978 que foi vendida para Celeste Aída Marques em 1980 que por sua vez a vendeu para Associação dos Funcionários do BDMG.

A solicitação para Tombamento do imóvel foi feita pelo proprietário José Otávio Melo Saraiva em 27/06/94 e a resposta a solicitação foi encaminhada em 27/06/94 pelo Patrimônio Urbano e Cultural de BH que o mesmo encontrava-se listado como de interesse de preservação.

O tombamento provisório foi em 13/12/2000, a convocação para inscrição no livro do tombo foi em 18/05/2001 e a publicação no Minas Gerais do Tombamento definitivo aprovada pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município, de acordo com a deliberação 01/2001, foi em 05/06/2001.

Atualmente o imóvel de propriedade do Sr. Adriano Livio Castro encontra-se fechado aguardando aprovação do projeto de modificação e restauração, quando o mesmo retornará a seu uso original — uso residencial.

Lembranças de uma casa

Mudança do casal 20/01/1944 — Francisco e Esmeralda de Sousa Lima, ele nascido em Varginha, ela em Monte Carmelo, ele médico pediatra, ela do lar, com oito filhos nascidos em Belo Horizonte

A casa em estilo neoclássico foi adquirida pelo Sr. Pedro Evangelista Ferreira, comprada sob hipoteca, a ser paga em trinta anos à Caixa Econômica Federal.

Pintada em amarelo claro, placa afixada no terraço oval – SSVP. Terraço coberto de buganvília vermelha em cima de uma garagem, do lado direito, onde ficava guardado um Buick Roadmaster, grená utilizado somente em grandes ocasiões.

A localização da casa era considerada privilegiada, subindo a avenida íamos à Praça da Liberdade brincar no coreto e namorar nos bancos do jardim. Descendo a avenida íamos a Praça Raul Soares às 5a-feiras ao Cine Grátis. Avenida tranquila com enormes ficus dividindo as duas pistas calçadas de paralelepípedos.

Uma porta de vidro e ferro dava acesso ao 1° andar, o living, o escritório, a sala de visitas, com paredes em florões azuis e dourados, a sala da pianola alemã (Fritz Hans) foi fabricada especialmente para o Sr. Pedro Evangelista Ferreira, antigo proprietário e foi adquirida junto com a mesma e vendida em 1973. Aproximadamente 50 rolos de música clássica, óperas, músicas populares francesas e italianas faziam a alegria dos moradores e visitantes.

A sala de jantar pintada em tons de vinho e com barrado pintado em alto relevo era somente aberta para jantares de cerimônia onde as crianças não compareciam. Uma sala de estar, mais tarde de TV, dava para a copa com a mesa grande onde a família reunia-se para o almoço e a reza do terço todas as noites após o jantar. A despensa parecia um armazém com seus graneleiros e na cozinha um grande fogão elétrico de seis chapas.

O “terreiro” era enorme: uma parreira, canteiro de rosas, canil, tanque de areia, quarador de roupas e subindo uma escadinha, um barracão com lavanderia, 3 quartos, um banheiro, oficina e um fogão a lenha, onde vez por outra eram encontrados escorpiões. Cachorros, patos, perus, pintinhos, porcos e bezerros de mães falecidas, trazidos da fazenda povoavam também o quintal.

O andar superior era acessado por uma escada de madeira com três lances e corrimão trabalhado (que servia de escorregador) e dividido em 6 quartos , um corredor e um banheiro. Os dois quartos da frente possuíam uma varanda de onde se obtinha uma bela vista do bairro de Lourdes até a Cidade Jardim.

Em março de 1950 foi construída uma piscina tomando boa parte do quintal. Para não proliferarem moscas e pernilongos eram criados lambaris e acarás dentro da piscina, garantindo o tratamento da água. Um professor de natação foi contratado 6h da manhã verão ou inverno. Todos na piscina, pois assim ensinava a Escola Alemã de Pediatria a qual Dr. Francisco era seguidor. Organizavam-se campeonatos de saltos acrobáticos (o trampolim era o telhado do barracão). Assim a piscina era o sucesso da época.

Em março de 1954 foi construído mais um banheiro no andar inferior, anexo a sala de TV, pois a essa época já eram treze filhos.

A casa desde a compra até 1978 era cenário de grande movimentação política. O Dr. Francisco era secretário do PDC (Partido Democrata Cristão).

Os filhos estavam todos casados e Dr. Francisco e D. Esmeralda sentiam-se perdidos na casa. Em 24 de agosto de 1980 a casa foi vendida para D. Celeste Aída. Talvez gostassem de saber que a casa foi tombada, guardando em suas escadarias, quartos e salas um pouco da história da família e da memória da cidade que ajudaram a construir.

O Hostel

Inaugurado em janeiro de 2014, o empreendimento conta com 43 leitos, divididos em quartos coletivos e privativos. Todos os quartos possuem ventilador de teto e pontos individuais de energia para a comodidade dos hóspedes. Além disso, oferece café da manhã, geladeira e fogão compartilhados, lavanderia, internet sem fio, TV a cabo e até um vídeo-game para os momentos de descanso.

Um casarão tombado, construído nos anos 30 em estilo neoclássico abriga o empreendimento dos sócios Daniel Nunes e Leonardo Apparício. Amigos de infância, que sempre tiveram paixão por música, viagens e conhecer novas pessoas, ambos refletem as suas experiência de vida no estilo descontraído do hostel. Com qualidade de serviço comparável aos tradicionais hostels da Europa, o hóspede irá se encantar com a decoração moderna do ambiente e com as referências aos grandes sambistas da história. Móveis e peças produzidas a partir de material reciclável e um mural assinado pelo artista plástico Thiago Mazza (http://thiagomazza.wordpress.com/) completam o clima do local.

Transformação da Casarão